domingo, 5 de junho de 2011

Mente sem Limites- A Pílula da Inteligência

A indicação do filme da semana é Limitless( Sem Limites).

Bradley Cooper e Robert De Niro são as estrelas do filme  Limitless, um thriller de ação , com uma boa dose de paranoia e perseguição. O enredo é  sobre um escritor cuja vida  é transformada por uma " droga inteligente" ultrassecreta, que permite o uso de 100 % de seu cérebro e assim o transforma numa versão perfeita de si mesmo. Suas habilidades extraordinárias logo atraem forças que ameaçam a sua nova vida.

A busca de medicamentos capazes de expandir o limite intelectual do homem já está em fase de pesquisa e desenvolvimento. Essas drogas mostram alguns efeitos sobre o sono, a memória e o estado emocional dos participantes. Especialistas no mundo inteiro estão discutindo os limites dessas drogas e as repercussões biológicas e sociais decorrentes de  suas outras possíveis indicações além das já conhecidas atualmente. Os principais candidatos , até o momento, são o metilfenidato( ritalina), a modafinila( stavigile) e  o donepezil( Eranz).

O futuro já começou e muitas indústrias farmacêuticas estão investindo na pesquisa de outras classes medicamentosas com potencial de aprimoramento cognitivo. Ainda não se dispõem de dados suficientes para garantir a sua segurança e eficácia em usuários saudáveis, principalmente a longo prazo. Entre as novas classes estão: os Ativadores do receptor nicotínico de acetilcolina, que elevam os níveis do neurotransmissor acetilcolina nas conexões sinápticas pelo estímulo direto ou por agonismo substitutivo. A acetilcolina é o neurotransmissor envolvido na transmissão do impulsos nervosos musculares, na regulação do sistema nervoso autônomo parassimpático e , em nível cerebral, na memória.

O outro grupo são os das Ampaquinas, que atuam em receptores AMPA, que estimulam a transmissão elétrica do principal neurotransmissor excitatório cerebral, o glutamato, envolvido em consolidação de memórias de longa duração.

O outro grupo são dos Inibidores da fosfodiesterase(FDE), que permite a ativação prolongada de moléculas intracelulares, como a AMPC cíclico, um mediador de respostas moleculares, principalmente uma proteína chamada CREB, também importante na consolidação de memórias de longa duração.

O outro grupo são dos Anti-histamínicos, que bloqueiam um receptor da histamina( H3),responsável por o estado de vigília  e atenção em nível cerebral.

A premissa do filme é de que um medicamento pudesse intensificar a utilização perfeita de todo o potencial cerebral . Já usamos 100% do nosso potencial cerebral, mas a eficiência do uso é que se tenciona aprimorar. Todas as áreas cerebrais são ativadas direta ou indiretamente em diferentes atividades neuronais ou funções. Mesmo através da análise por neuroimagem funcional, aquelas áreas que não se ativam diante de tarefas específicas , estão em estado de latência de captação, mas provalmente estão atuando em conjunto com os grandes agrupamentos neuronais( redes cognitivas) que disparam impulsos elétricos captáveis pelos aparelhos.
Usamos 100% do nosso potencial cerebral, tanto para tarefas simples como para tarefas complexas. O que muda são as vias preferenciais( redes neuronais), de acordo com a estrutura neuroanatômica e as vias sinápticas fortalecidas pelo uso.

Será que é possível ficar mais inteligente , ingerindo uma pílula?

No filme, as funções que se tornam bastante afiadas são as perceptivas. "E a percepção governa a inteligência e é o se atributo mais importante"( trecho extraído do livro As Duas Inteligências). Portanto, no filme, o protagonista fica muito inteligente, pois começa a perceber nuances e a realizar associações rápidas( cognições analógicas), o que permite ampliar tanto a utilização de mais grupos neuronais, como aumentar o potencial criativo, pela interação de uma diversidade de assuntos aparentemente não correlacionados. Então ele transita em diferentes áreas do conhecimento e aprende com muita rapidez. No filme, ele fica mais inteligente.

Na vida real, o uso de creatina, já demonstrou, numa pesquisa em 2006, aumentar a inteligência fluida em 40 % depois de 6 semanas de uso diário. Portanto, já temos aprimoradores cognitivos disponíveis no mercado, a baixo custo.

Os medicamentos possuem uma tradição de uso terapêutico, isto é, eram originalmente desenvolvidos para tratar, curar ou controlar doenças. Na atualidade a Medicina tenta evoluir um passo adiante, buscando desenvolver medicamentos que não somente devolvam o paciente ao seu estado basal( prémórbido), mas que o levem acima da sua linha de base biológica e social. Não basta corrigirmos o defeito, é preciso aprimorarmos as qualidades. Assim caminham áreas especializadas, como a cirurgia plástica estética e a psiquiatria e neurologia estéticas.

 Seria ético aprimorar capacidades normais para extratos funcionais supranormais?
 Seria moralmente aceitável?


 Esses e outros questionamentos surgem em debates de diferentes correntes do conhecimento humano. Sabemos que a sociedade é farmacodependente em maior ou menor grau, pela sua orientação em busca de curas imediatas, soluções mágicas e resultados excelentes. Estudantes abusam de ritalina para realização de provas, mesmo sem acompanhamento médico ou doença que justifique o uso. Caminhoneiros usam os "rebites"( anfetamínicos) para ficarem acordados durante jornadas extenuantes de trabalho. Pessoas usam álcool "socialmente" para desinibição em festas e coqueteis. Não vamos nem entrar no tema outras drogas de abuso , que causam dependências, pela busca de efeitos psicotrópicos diversos. Então, numa sociedade que abusa de diferentes substâncias, lícitas e ilícitas, qual seria a restrição ao uso dos aprimoradores cognitivos? É uma questão em aberto ainda.

Um aspecto relevante para a liberação do uso de aprimoradores cognitivos é que eles podem ser inseguros a curto e longo prazo, algo que as pesquisas precisam levar em consideração, para preservar a saúde humana. Trata-se de aplicar um avanço artificial em redes neuronais naturais e produzir efeitos quimicamente mediados. Isso pode produzir efeitos colaterais indesejáveis e perigosos, além de risco a longo prazo. Uma coisa é precisar tomar medicamentos, como no caso dos diabéticos, dos hipertensos, dos esquizofrênicos, dos cardiopatas, dos depressivos crônicos, outra coisa distinta, é escolher tomar medicamentos sem haver necessidade primordial.

Haverá o desenvolvimento de dependência emocional e/ou física , pois a ação reforçadora do hábito e a recompensa ao  alcançar desempenhos melhores se estabelecerá como um padrão inconsciente. Ninguém vai arriscar ir mal numa prova e ficar em condição de desigualdade em relação a outros estudantes que usam. Haverá o efeito "calmante" do uso, que aumenta a segurança de estar em plenas condições de performance, da mesma maneira que jovens usam o viagra para evitar "falhar" nas relações sexuais. Estabelecer-se-ia um padrão generalizado de uso, e assim estaríamos diante de uma epidemia de dependência de massa. Os laboratórios vislumbram isso? E ainda legalizado?

Hoje o café é a bebida mais consumida do mundo. E ele parece ter benefícios para a saúde. Quem não aprecia um cafezinho, mesmo não sendo funcionário público, depois do almoço, pelo prazer do relaxamento e excitação que causa. Nosso cérebro é evolutivamente aparelhado para tornar-se dependente. Temos um circuito do prazer em permanente estado de vigilância, em busca da próxima droga ou situação que cause PRAZER! E depois permanece ativo para evitar que esse prazer vá embora e no seu lugar se estabeleça a DOR. Isso é dependência.

O debate em torno de aprimoradores cognitivos se faz num momento histórico que se exigem velocidades altas na aprendizagem e aumento desenfreado da competitividade econômica, com a desumanização. Drogas que pudessem melhorar o desempenho de "robôs humanos", que dormiriam menos, aprenderiam mais, trabalhariam além de suas forças naturais, seria  benfazejo para o capitalismo global. Mas seria bom para o homem individual? No filme, isso fica bem claro, justamente foi a  área econômica  a escolhida pelo protagonista para usufruir do seu brilhantismo artificial. Não foi nas artes, nos projetos sociais ou outros âmbitos mais esteticamente orientados.

Já prescrevemos muitos medicamentos veiculados como possíveis aprimoradores cognitivos. Entretanto, observamos que nenhum paciente ficou mais inteligente por isso. O que comprovamos, sim, é que portadores de Déficit de Atenção e Hiperatividade(TDAH), que estavam prejudicados no seu desempenho cognitivo( e portanto menos inteligentes) puderam recuperar o seu potencial cognitivo inato( isso não é o mesmo que dizer que ficaram mais inteligentes). A ritalina possui o potencial de corrigir, com excelentes resultados, o TDAH moderado à grave. Mas nos pacientes com TDAH leve ou ausente, a melhora se mostra discreta ou inexistente. Quanto ao modafinil, que atua em narcolepsia e sonolência diurna, observamos resultados muito discretos, sem relação com melhora cognitiva mensurável. O donepezil continua em uso clínico somente em pacientes  com doença de Alzheimer e não o utilizamos com outro propósito até o momento. Os antidepressivos devolvem a funcionalidade neuroquímica aos portadores, melhorando os parâmetros cognitivos, incluindo o raciocínio e a memória. Isto é uma recuperação ao estado prévio, não um aprimoramento. Portanto, até o momento, não há evidências concretas , robustas e replicáveis de que esses medicamentos sejam aprimoradores cognitivos, mas somente medicamentos para transtornos mentais específicos.

                                                      LEITURA DINÂMICA E ESTUDO




quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sugestão de Leitura para a Semana

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Livro " As Duas Inteligências"- Um convite aos interessados e uma deleção aos críticos precoces

Eu recomendo o livro " As Duas Inteligências" para  pessoas interessadas em se tornarem inteligentes verdadeiramente. Não apenas aumentar o QI, mas se tornarem inteligentes, o que é muito melhor!

Algumas pessoas acham esse tema "Inteligência" desinteressante, dispensável, inútil, ultrapassado, assunto de gente esnobe que quer aparecer,  que quer se promover. E para eles, infelizmente, funciona assim.  Recebi muitas mensagens desaforadas de pessoas que compõem o grupo anti-inteligência,  que  nos denominaram :" Vocês gênios idiotas", que pensam que sabem tudo, seus gênios imbecis." Escolhi deletar sumariamente essas mensagens porque são de pessoas mal-educadas e são destrutivas. Aqui no blog ou em qualquer espaço de debate, estarei aberto a discutir ideias. Mas grosseria  é um estado mental pouco inteligente. Portanto, é deletado na hora.

Essas pessoas que nos chamam de "gênios imbecis" deveriam ler o livro primeiro, para entenderem que não nos consideramos gênios, longe disso. Como falar da obra, sem lê-la primeiro? Este livro foi escrito para pessoas  que almejam resultados acima da média. É uma contribuição que criei e se destina  a quem interessar. Mas sempre vai haver pessoas que se sentem ofendidas pelo êxito alheio,  então vociferam e tentam degradar a obra.

 Eu estou seguro de que quem ler o livro com a mente aberta e coração sem rancores, vai aumentar a sua inteligência global e gerará frutos significativos na sua vida. As minhas palavras não são propaganda simplesmente, pois desmascaro qualquer tipo de propaganda num dos capítulos do livro.

Alguns leitores  podem pensar que o livro aborda a inteligência intelectual e a emocional. Não há relação alguma com esses temas requentados! É um trabalho( acredito) que vai além disso. Mas não aceitem a minha opinião. Leiam o livro com olhos críticos e  curiosidade. Depois podemos discutir o livro aqui no blog, com total transparência.

Na contracapa do livro referi o meu QI, bem como no post abaixo. Isso é uma jogada de marketing, confesso, pois desperta o interesse dos leitores. Como alguém com um QI baixo vai falar sobre inteligência? Soa, no mínimo, estranho. Então mostro que tenho um QI elevado. Mas meu livro transcende o conceito de QI e para escrevê-lo precisei ter ultrapassado a fase de me sentir importante ( para mim mesmo) por ter um QI alto. Mas me orgulho e me surpreendo de pontuar alto em testes de matrizes, que são culturamente livres de vieses. Minha inteligência é alta mesmo. Legal, mas e daí? Fico feliz. Motivei-me a escrever o livro, em parte, por me descobrir inteligente.

Mas todos vamos morrer um dia. Todos somos iguais em direitos e deveres. Será que esse tema "Inteligência" não é desinteressante, dispensável, inútil, ultrapassado, assunto de gente esnobe que quer aparecer,  que quer se promover ? Acredito que a importância de ser inteligente sobressai no período em que estamos vivos. Justamente neste período curto. A vida, apesar de breve, pode ser mais interessante. E se a inteligência puder contribuir, de alguma maneira,  para que isso aconteça, por que continuar com a burrice, a ignorância, a mesmice e as crenças mofadas? Alguém tem uma resposta inteligente para me dar?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

TORR ORG- the pressure is on

Marcos Ferreira é o mais novo membro da TORR ORG, uma das mais seletivas sociedades de Alto QI do mundo, composta por apenas 393 pessoas até o momento. Através da realização do GIGI test, que mensura  a inteligência fluida, obteve o QI 148, escore alcançado por apenas 0,1% da população mundial. Marcos já era membro de outras duas sociedades de alto QI, a HighIQ Society( EUA) desde 2006, quando atingiu o QI de 158 e a Sigma Society I, no Brasil, com QI superior a 132. Esses escores o motivaram a investigar o tópico Inteligências, que resultou no lançamento do seu novo   livro " As Duas Inteligências", disponível para todos os leitores do blog.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Poesia

Meu mundo

Tenho um mundo
demasiado grande, dentro de mim
As palavras, escapes, fôlego
Um sopro aturdido em meio aos passos e vozes
Neste mundo demasiado estranho, arredio
que com palavras me sento ao lado
Ele insiste em apertar meu peito,
subjugar os meus pensamentos
e eu a ele, em palavras
Sem elas, ainda estaria oprimido,
prisioneiro das dúvidas do nunca, do sempre
A morte é a ausência
A escravidão é ausência da própria voz,
que por dentro do peito desvaneceu.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Memórias de um Ex-Vestibulando

O vestibular ou qualquer concurso demanda  investimento de tempo, energia, dinheiro e expectativas.

Hoje acordei pensando nos meus tempos de vestibulando. Oh, tempo bom aquele! Principalmente porque durou apenas um mês! Emagreci 4 quilos! Depois que voltei para a minha cidade, dormi uma semana inteira sem interrupções.

Admiro as pessoas que se dedicam a estudar para um concurso ou para o vestibular. Na verdade, ser concurseiro  ou vestibulando é uma "profissão transicional". Não se é nada oficialmente, mas um vir a ser. Nesse "limbo", como me referiu um vestibulando recentemente, vai se (sobre) vivendo na busca de sonhos!

Acredito que a vida é feita de fases. Quando navegamos na onda sincrônica das boas fases, a vida torna-se mais fácil, as conquistas acontecem naturalmente. Presumo que o meu destino era passar no vestibular. Se existe um " fator sorte", ele atua na fase em que vivemos. Não existe sorte para aprovação no concurso ou vestibular concorrido. É preciso estudo, dedicação, autoconfiança e sorte no momento de vida!

 A minha sorte vinha de um colégio bom e eu gostava de estudar. Só fazia aquilo! Tive a oportunidade de ampliar o meus acertos em uns 30 % , através  do cursinho pré-vestibular intensivo de dezembro. Eu era excelente estudante, e o primeiro prenúncio da aprovação iminente  aconteceu quando consegui me perder na "imensa" cidade de Santa Maria, RS. Prenúncio, porque todo o "calouro" é meio perdido no campus quando começa a faculdade. Quase uma barata tonta. Perdi-me e cheguei  vinte minutos atrasado na aula de matemática do Ivo no Master.

A minha dieta de vestibulando era invariável. Nunca fui bom na cozinha, nem tinha tempo para distrações. Consistia em bolacha Maria e café preto. Entendi que a perda de peso foi mais uma questão de alimentação do que de estresse emocional. Aqueles quatro quilos fizeram falta para o meu corpo, mas certamente não afetaram a minha mente. Desenvolvi " um calo nadegal" porque o osso traseiro sentava direto na cadeira dura do cursinho. Isso vai machucando com o tempo, sabe? Hoje abro os jornais, cheio de orientações nutricionais , coma  isso, não coma aquilo, leve uma barra de chocolate para dar energia e, naquela época, ninguém me orientou! Não lia jornais, a não ser as notícias políticas, então não tinha acesso a informações importantes para a aprovação.

Falando em comida, um abraço para colega Fabio Comarú, o nosso gourmet. Ele preparava uns lanchinhos vespertinhos interessantes. Mal começávamos a estudar , ele batia na porta : __ " hora do lanche"! Aqueles lanchinhos mantiveram meu cerebro funcionando!

Hoje acompanho vestibulandos, concurseiros e admiro a longevidade deles na profissão.

Sinceramente, se eu fosse vestibulando hoje, não teria a mesma disposição que tinha quando passei na primeira vez. Dizem que são os anos que nos tornam mais seletivos. A experiência. Eu digo que foi a sorte no momento de vida. "Há tempo para semear e tempo para colher", mas sempre há um tempo certo aqui na Terra para projetos e sonhos. Quando esse tempo passa, os sonhos ficam velhos.

Os vestibulandos e concurseiros merecem a nossa admiração. Não sou eu que vou dizer algo para desmerecer essa jornada. Cada pessoa caminha solitária pela estrada da vida, apesar dos aplausos e vaias da turma da arquibancada- pais, amigos e invejosos.

Há um " timing" para o universo conspirar a nosso favor. Denominamos isso de sincronicidade. Até tinha uma comunidade no falecido Orkut chamada " Sincronicidade". Mas fiquei fora uns dias e o Ivan pegou a comunidade para ele. Depois ela desapareceu. Talvez porque havia um tempo para o Orkut. Ainda sou usuário esporádico do Orkut, mas ele está muito facebook para o meu gosto pessoal. Prefiro o original ao genérico! Pergunte a qualquer paciente que oriento e eles confirmarão.

Acho que desviei do tema? Isso é imperdoável numa redação. Mas aqui no blog sinto-me livre para divagar. No papel de vestibulando ou concurseiro, tudo é muito exato, regras, fórmulas e macetes. Hoje não consigo viver assim. Por isso  não sou um bom vestibulando, nem concurseiro. Passou o meu tempo. Mas ainda tenho as memórias vivas dentro de mim. "Tempo bom aquele, que não volta mais", nem espero que volte.

Você, que está no sexto vestibular de Medicina, ou já completou um mandato como concurseiro profissional, a minha admiração. Estranho as coisas que a minha capacidade não consegue executar. Mas logo me lembro, alertado pela minha secretária Erami, __"o que a sua capacidade não consegue executar?" Boa pergunta. Gosto de perguntas pertinentes. Ela demonstra que merece o seu trabalho aqui no consultório.

Não consigo executar todas as coisas que já estão fora da minha fase de vida. Talvez seja a maturidade, ou o envelhecimento. __" Realismo", grita a minha consciência. Não consigo executar todas as coisas que decidi  não executar mais. Aqui tenho certeza, a palavra  é autonomia. Mas para ter autonomia, é preciso estudar. É preciso trabalhar. Está começando a ficar menos estranha a caminhada desses vestibulandos e concurseiros. Não está na hora da aula?













segunda-feira, 28 de março de 2011

Aprender, Desaprender e Reaprender

Analogamente ao ciclo da riqueza, que acontece em três alças de retroalimentação: Ganhar, gastar e economizar, a vida é um processo descontínuo de aprender, desaprender e reaprender.

Mesmo antes do nascimento, a maior ocupação do bebê é responder a estímulos, receber estímulos, aprender, aprender, aprender, averiguando o ambiente , o contorno, as relações com os pais e cuidadores, as sensações corporais, as manifestações fisiológicas. Esse processo ocorre em progressão geométrica, uma vez que a capacidade de formar novas conexões neuronais está na faixa dos quatrilhões. A plasticidade neuronal é tão intensa, que mais tarde é necessária a eliminação de muitas conexões neuronais, fazendo uma modelação sináptica. Esse processo de "poda", ocorre já no nascimento, intensifica-se nos primeiros anos e estabiliza-se após a adolescência. O bebê, se não houver doença ou restrição neurológica, é uma máquina de APRENDER, como uma esponja encharcada de sensações. Estimular o bebê proporciona mais e mais conexões neuronais. Deixá-lo conquistar o ambiente, tocar, sentir, movimentar-se, expressar-se, é o caminho mais saudável para o seu desenvolvimento.

Os primeiros anos de vida são essenciais para o processo de aprendizagem no decorrer dos anos. Muitos traços de personalidade formam-se pela interação com o ambiente, que modula os genes que cada bebê traz consigo ao nascer. Se o ambiente for facilitador para a aprendizagem, teremos um bebê mais solto para alimentar a sua curiosidade e descobrir coisas novas e estimulantes. Pode nascer neste momento o ímpeto para APRENDER pelo resto da vida. Os pais são os promotores desse desejo, além de facilitadores ou restritores. Um ambiente de poucos estímulos negligenciará a potencialidade inata do bebê e ele se desenvolverá aquém das suas capacidades ou terá um atraso no seu desenvolvimento.

APRENDER é o primeiro processo inato que realizamos. Infelizmente muitas pessoas abdicam dessa capacidade tão logo se tornam adultas.

Se aprender é tão importante na tenra idade, consideramos o processo complementar de DESAPRENDER essencial durante a existência, devido ao dinamismo da vida. Alguém que se acomoda na primeira etapa do processo, aprender tão somente, vai perder os frutos das mudanças. A mudança é constante e irrefreável, e se alguém se recusa a mudar com a mudança, torna-se desatualizado e começa a morrer intelectualmente, fisicamente e emocionalmente. Não há escolha alternativa para o crescimento pessoal que prescinda do  desaprender ,desaprender, desaprender, desarraigar crenças ultrapassadas e  ideias anacrônicas. A preguiça leva algumas pessoas a resistirem a esse processo de DESAPRENDER. É necessário e útil desaprender para abrirmos espaço para o REAPRENDER.

O desafio do sistema de ensino não é preparar as gerações futuras através de conhecimentos sabidos e consolidados. O desafio é moldar uma mentalidade aberta à flexibilidade de pensamento, que permita mudar o mais rápido possível, na velocidade das mudanças tecnológicas. Desaprender conteúdos pregressos, desaprender crenças prejudiciais, desaprender ideais ultrapassados, desaprender modelos de comportamento nocivos à sociedade, desaprender, desaprender. Depois de acelerado o processo de desaprendizagem, começarão os "espaços vagos" para a terceira etapa do processo, REAPRENDER.

REAPRENDER é aprender na velocidade das mudanças. A informática é um exemplo disso. Até a década de noventa, a internet não fazia parte de nossas vidas. Agora imagine a sua vida sem a internet. Seria mais fácil ou mais difícil?  Todas as pessoas que manejam minimamente bem esse recurso tecnológico, tiveram que desaprender modelos de comunicação anteriores, reaprendendo um novo modelo de transação nos moldes digitais e virtuais. Conheço muitas pessoas que se recusaram a aderir ao modelo e hoje não sabem  nem ligar o computador.

Aprender é um processo relativamente passivo em tenra idade. Tudo é novidade, então somos impulsionados a aprender de qualquer maneira.

Desaprender é um processo altamente ativo. Se o indivíduo não se disciplina a fazê-lo , vai travar o processo e ficar preso a paradigmas ultrapassados, com resultados do século passado. Muitas revoltas populares, greves, ao meu ver, são resultado da recusa de desaprender ofícios ultrapassados e modelos de gestão superados. Quem não busca desaprender, quer conservar o "já aprendido" e transformá-lo num direito adquirido. Desaprender demanda gasto energético. E um grande problema da humanidade é a obesidade! Inclusive a obesidade mental, por acúmulo de preconceitos, desinformação, inflexibilidade mental e procrastinação.

Reaprender é um processo medianamente ativo. Só acontece a partir do momento que o indivíduo desaprendeu algo. Precisa haver um espaço livre para ocorrer um novo aprendizado. Neste momento, muitos conhecimentos não são dominados da noite para o dia, o que leva alguns a ficarem inquietos, inseguros, temerosos, pois estão flutuando  num "gap", num intervalo sem definições. Tolerar esse precipício temporal é inerente à reaprendizagem. Demanda tempo modificar crenças, treinar habilidades físicas , psicológicas e sociais. Demanda horas e horas para dominarmos um campo de atuação.

Então, o processo bem-sucedido da existência atual é composto pelo APRENDER-DESAPRENDER-REAPRENDER. Na medida que uma pessoa se torna proficiente nessa roda da vida, vai ser mais exitoso nas escolhas, mais feliz, pois está vivendo e não sendo arrastado pela vida, vai influenciar , vai escolher, vai raciocinar, vai expandir, vai viver enfim. Podemos conhecer a etapa evolutiva de cada um, simplesmente observando como cada pessoa maneja essa roda da vida. A roda vai estar atolada, parada, retrocedendo ou avançando. Conversar com pessoas revela o estágio de suas rodas.

Peter Drucker , guru da administração moderna, ressaltava a importância das  empresas que aprendem. Se estivesse vivo, talvez falasse nas empresas que dariam um passo adiante, que desaprendem e depois reaprendem. Muitos denominam esse fenômeno de destruição construtiva. Empresas são indivíduos trabalhando no mesmo time, na mesma equipe. Hoje falo de destruição construtiva como um processo inadiável de crescimento pessoal. As pessoas do presente e do futuro são aquelas que estão constantemente desaprendendo e reaprendendo. Se você ainda não começou, reaprenda isso.