sábado, 25 de setembro de 2010

Como Melhorar o Estudo com Menos Esforço

Uma pesquisa realizada pela Northwestern University sugere um novo meio de treinamento que poderia reduzir , pelo menos em 50 %,  o esforço previamente considerado necessário para produzir ganhos de aprendizagem perceptual.

A pesquisa também é a primeira a demonstrar a metaplasticidade- a ideia de que experiências próprias que não geram aprendizado podem influenciar as taxas de aprendizagem em experiências tardias. A história prévia da atividade sináptica determina a sua plasticidade corrente. Esse mecanismo está relacionado com processos subjacentes da memória e aprendizagem de longo prazo. Esse estado sináptico é estabelecido por influências extrínsecas como a inibição sináptica, a modulação por catecolaminas e outros hormônios.

Antes desse trabalho, a maior parte das pesquisas em aprendizagem perceptual poderia ser sumarizada na concepção de que "sem dor, não há ganhos".

Os achados podem levar a terapias menos exaustivas para crianças que sofrem de perdas na aprendizagem verbal, envolvendo habilidades perceptuais e também serem aplicados na população geral interessada em aprimorar suas habilidades perceptuais- músicos em busca de uma sensibilidade maior aos sons, pessoas que estudam linguas estrangeiras ou médicos aprendendo a diferenciar batimentos cardíacos regulares e irregulares.

Estudos prévios demostraram que indivíduos tornam-se melhores em muitas habilidades perceptuais através da repetição, geralmente participando de treinamentos  de longa duração. Eles mostraram também que uma mera exposição a estímulos perceptuais durante a prática das tarefas não gera aprendizado.
Mas a pesquisa conduzida pela Northwestern University encontrou um aprendizado robusto quando se combinaram períodos de prática, que sozinhos eram muito curtos para produzir resultados, com períodos de mera exposição a estímulos perceptuais. As duas modalidades alternadas funcionam bem na aprendizagem perceptual. Os ganhos perceptivos foram equivalentes aos ganhos obtidos pelos participantes que treinaram continuamente o dobro do tempo. É como se o sistema cerebral ainda estivesse engajado na tarefa quando você não está mais e  nesse momento a aprendizagem se processasse.


A pesquisa envolveu participantes de 18 a 30 anos, com audição normal e sem experiência prévia com tarefas psicoacústicas. O objetivo era melhorar a habilidade dos participantes em discriminar entre timbres de diferentes tons.
Inicialmente os pesquisadores determinaram a menor diferença de timbre que os participantes puderam discriminar de um tom  de 1000 Hertz. Depois dividiram os participantes em quatro grupos, cada um submetido a um diferente regime de treinamento.

Participantes em um dos grupos foram treinados por 20 minutos por dia durante 1 semana na tarefa. Repetidamente eles foram testados na habilidade de dizer a diferença entre 1000 hertz e tons mais baixos. Não mostraram melhora no desempenho.

No segundo grupo houve ganhos de aprendizado significativos quando a mesma tarefa foi combinada com 20 minutos de trabalho num tarefa não- relacionada ( quebra-cabeças), enquanto repetidamente foram expostos ao tom de 1000 Hertz através de fones de ouvido.
O aprendizado desse segundo grupo foi também comparável ao do terceiro grupo , que durante 1 semana praticou a tarefa de discriminação tonal durante 40 minutos por dia.

O quarto grupo de participantes foi exposto a tom de 1000 Hertz por 40 minutos diários, enquanto realizavam uma tarefa não-relacionada. Eles não mostraram ganhos de aprendizado.

Os pesquisadores também descobriram que a efetividade da combinação da tarefa pesquisada e o treinamento não-relacionado somados à exposição aos estímulos começa a decair se as duas tarefas forem separadas por mais de 15 minutos. A aprendizagem da discriminação de timbre tonal- ou evidência de metaplasticidade - desaparece completamente se  as sessões são separadas por 4 horas.



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