sexta-feira, 20 de abril de 2012

Baixo Rendimento nos Estudos, Sonolência e Variação de Humor


O rendimento nos estudos depende de muitos fatores correlacionados.

O desempenho ótimo no processo de estudo inteligente precisa basear-se no equilíbrio biopsicossocial do estudante.

Muitos estudantes "tentam" estudar fora desse ponto de equilíbrio, negligenciando a correção dessas condições adversas e sofrem perdas na sua performance. O resultado final é um baixo rendimento nos estudos.

Para haver um alto rendimento nos estudos, o estudante precisa estar em perfeito equilíbrio BIO-PSICO-SOCIAL.

Entre os fatores adversos de ordem biológica, podemos citar:

a) Alimentação Desbalanceada: baixo consumo de proteínas e polivitaminas, excesso de consumo de carboidratos, principalmente doces;

b) Privação de sono: Dormir menos de 6h por noite ou mais de 10h por noite;

c) Sedentarismo: Falta da prática regular moderada de exercícios físicos aeróbicos;

d|) Doenças físicas e Mentais: Sintomas não diagnosticados e tratados ou subtratados;

e) Uso de medicamentos e Drogas de abuso:  álcool, maconha, cocaína, etc  e  medicamentos que diminuem a capacidade cognitiva.

Entre os fatores ordem psicológica , podemos citar:

a) Transtornos Mentais: depressão, ansiedade, TDAH, Síndrome do Pânico, Ansiedade Generalizada, fobias, etc;

b) Conflitos Psicológicos: baixa autoestima, desentendimentos familiares e amorosos;

Entre os fatores de ordem social, podemos citar:

a)  Isolacionismo Social: falta de círculo de amigos ou de apoio;

b) Exposição Social Exacerbada: Desperdício de tempo em baladas, festas e atividades afins.

Se esses fatores estiverem desajustados, o estudante terá variações de humor, com queda da energia física e mental para estudar de maneira produtiva. Pode haver eclosão de estados de tensão emocional, irritabilidade, desconcentração e desmotivação.

Todos temos ritmos biológicos( ritmos circadianos), que se modificam de hora em hora, pela alteração hormonal e de neurotransmissores. Respeitar o próprio relógio biológico é uma atitude alinhada com o melhor rendimento "possível" em determinado estudo. Se o relógio biológico não for entendido, o estudante estudará exaustivamente, com baixo aproveitamento real. Geralmente os horários de "peak performance"  são matinais, havendo queda do desempenho a partir da tarde e no final da noite. Algumas pessoas são mais vespertinas e outras notívagas. Respeite o seu próprio modelo de funcionamento diário.

Se tiver sono, não adianta insistir no estudo naquele momento. Tire um cochilo ou pratique algum exercício físico, procure respirar "cachorrinho", para reativar a energia mental. Se tiver ansiedade, procure relaxar a musculatura através da respiração calma e pausada, "sentida na barriga", em nível abdominal. Se for acometido de tédio, respeite a "confusão mental" ou falta de pique , espere algumas horas até passar ou procure envolver-se em alguma atividade prazerosa extra-estudo. Se estiver apresentando sintomas mentais muito intensos, que comprometem a sua vida a maior parte do dia, durante semanas, procure ajuda médica.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Três Fatores Vitais Na Aprendizagem Inteligente

Os vestibulandos que vêm ao consultório abrem seus corações e reclamam que "fulano" passou e eles não passaram! Como  aquele "fulano" passou? Logo aquele id.....! Como o  mundo é injusto, não é mesmo?

O mundo é injusto, concordo. É possível alguém estudar muito e ser reprovado no vestibular, num concurso ou numa entrevista de trabalho. Muitos fatores estão em jogo e qualquer desequilíbrio resulta em insucesso! O equilíbrio emocional é determinante nessa equação , por exemplo.

O que não é admissível é ser reprovado por estudar de maneira desatualizada. Esse "pecado" será castigado sempre. Não basta ter boas intenções, vontade de passar, fazer promessas e orações, o resultado final , se outras variáveis estiverem em equilíbrio, dependerá do domínio dos conteúdos exigidos nas provas. Simples assim!

Então é possível que "fulano", o carinha insuportável ao lado( e que não o é num cursinho apinhado de concorrentes?), conquiste uma vaga  à que você jurava ser o merecedor legítimo.

Não importa o número de horas de estudo, não importa quão especial você se considera, nem o melhor cursinho preparatório, o resultado final dependerá do domínio dos conteúdos programáticos! E se o "fulano" dominar esses conteúdos e você não, o mundo injusto fará justiça!
A ideia aqui é qualidade de estudo e não quantidade de estudo. Se você conseguir aliar horas de estudo com aproveitamento, melhor para você! Se tiver que equilibrar esses dois requisitos, invista em qualidade de estudo.

Hoje quero ressaltar TRÊS FATORES VITAIS NA APRENDIZAGEM INTELIGENTE:

1) Testagem de conhecimentos: Pesquisas recentes demonstraram que curtos períodos de estudo alternados com testes produzem melhor domínio de informações a longo prazo. Nesse processo de se testar, de memória, sem consulta a livros e apostilas, logo após a primeira leitura, forçará o seu cérebro a recordar os detalhes lidos, formando uma impressão mais durável do conhecimento. Essa estratégia, mesmo por 10 minutos, foi superior à elaboração de mapas conceituais, considerados padrões standart de estudo otimizado. Alunos testados após a leitura, que tiveram que evocar as informações, alcançaram desempenho superior a alunos que construíram mapas conceituais por 30 minutos. INCRÍVEL!

2)  Espaçamento do estudo: Utilize a alternância de estudo e descanso. Isso respeitará a fisiologia cerebral, que necessita de um tempo de incubação do material estudado. Ao retornar , o cérebro fará novas conexões do material ( cada reinício é uma novidade cerebral), reforçando novos ângulos de aprendizagem e agregando contextos extra-estudo com os quais o aluno entrou em contato nas horas de intervalo. Cada recomeço ativará lembranças, associará outras informações , criando conexões neuronais mais fortes para o conteúdo. O descanso é tão fundamental quanto o estudo propriamente dito.

3) Entrelaçamento de conteúdos: Você prefere estudar matemática a tarde inteira ou biologia a manhã inteira? É melhor concluir logo esse capítulo ou ler esse livro antes de passar para o próximo? NÃO! O melhor, segundo pesquisas atuais, é entrelaçar o máximo possível conteúdos díspares. Isso melhora não somente o domínio dos conteúdos per se , como aumenta a capacidade de diferenciar esses conteúdos diferentes em contextos parecidos. As provas interdisciplinares caminham nessa direção, misturando questões. Portanto, o estudo deve ser feito nos mesmos moldes, porque a aprendizagem é turbinada!!

Os alunos possuem uma visão distorcida da sua capacitação real para as provas. Nas pesquisas, os alunos pensavam erroneamente que o melhor era estudar conteúdos únicos por longos períodos, preferiam ler e reler a matéria várias vezes, iludidos com uma"intuição" de que já sabiam o suficiente e insistiam em longas jornadas de "estudo" sem descanso. Todos esses equívocos fazem a balança pender para o lado do" fulano". Não bastar estudar, é preciso calibrar o quanto se sabe e o quanto se precisa melhorar.

Estude de maneira inteligente, não exaustiva, e nem "fulano", nem "beltrano", nem "sicrano" , nem o mundo injusto conseguirão vencê-lo desta vez.

domingo, 15 de abril de 2012

Mapa da Inteligência no Cérebro


Cientistas mapearam a arquitetura anatômica cerebral envolvida com a inteligência humana, particularmente inteligência geral, compreensão verbal e memória de trabalho.

O trabalho foi publicado em " Brain: A Journal of Neurology". Ele lista os danos cerebrais sofridos por voluntários, 182 ex-combatentes da guerra do Vietnã.

A análise de injúrias cerebrais com danos focais  permitiu aos pesquisadores, liderados pelo neurocientista, Aron Barbey, da Universidade de Illinois, inferir sobre estruturas cerebrais específicas necessárias para o desempenho intelectual. Estudando como danos a regiões cerebrais particulares produzem formas específicas de perda cognitiva, foi possível mapear a arquitetura da mente, identificando estruturas cerebrais criticamente importantes para habilidades intelectuais.

Os pesquisadores submeteram os participantes ao escaneamento por Tomografia Computadorizada e administraram uma bateria extensiva de testes cognitivos. Os dados foram reunidos para construir um mapa coletivo do córtex, que foi dividido em 3000 unidades tridimensionais, chamados voxels. Pela análise de múltiplos pacientes com danos num voxel particular ou grupo de voxels e comparando as habilidades cognitivas desses pacientes com pessoas com essas estruturas intactas, foi possível identificar regiões cerebrais essenciais em funções cognitivas contribuintes significativamente para a inteligência.

A inteligência geral depende de sistemas neurais marcadamente circunscritos. Esses sistemas estão localizados primariamente dentro do córtex pré-frontal esquerdo, córtex temporal esquerdo e córtex parietal esquerdo e em tratos de substância branca que os conecta. Muitas áreas relacionadas com a inteligência geral são as mesmas envolvidas com a função executiva( memória, controle de impulsos).





As áreas da imagem, em vermelho, indicam as áreas comuns associadas com inteligência geral( G) e função executiva. As áreas em laranja indicam regiões específicas relacionadas com a inteligência geral. E as áreas em amarelo são específicas para a função executiva.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Idade Cerebral e Poder Cerebral

A idade cerebral avança e o poder cerebral declina, segundo  pesquisas da neurociência.


Isso é esperado, uma vez que o envelhecimento cerebral provoca a perda de algumas funções cognitivas, seja por desuso ou por doenças físicas, neurológicas e mentais.

Mas isso não é inexorável, uma vez que você pode treinar o seu cérebro através de exercícios físicos e ginástica cerebral. Poucas pessoas se dispõem a investir em exercícios diariamente. Não posso falar sobre exercícios físicos, pois amanhã vou reiniciar meu programa de exercícios físicos.

Há muito tempo a ciência sabe que os exercícios físicos melhoram a memória, o sono e o funcionamento cerebral, pois isso aumenta o  fluxo sanguíneo, com oxigenação consequente e proliferação neuronal através do BDNF,um estimulante cerebral responsável pela neurogênese.

Dizem as pesquisas que à medida que envelhecemos, a velocidade de nossas reações diminuem. Ficamos mais lentos em testes. Será isso verdade mesmo?

Teste a sua idade mental através do teste providenciado pelo site:


Você vai descobrir se a sua idade cerebral está em boa forma, de acordo com a manutenção do seu poder cerebral.

O interessante desse site é que ele testa velocidade de resposta, que teoricamente deveria diminuir com a idade. Ocorre que no meu caso a minha velocidade de resposta, depois de 5 anos sem treinar, aumentou.  Só hoje quebrei quatro recordes! Fiquei 5 anos mais velho e mais rápido! A que atribuo essa melhora? No meu caso, não posso atribuir aos exercícios físicos, que irão potencializar o meu  desempenho no futuro. Neste momento , o único fator diferente na minha vida, que não havia 5 anos atrás , é o meu treinamento diário no exercício N-dual Back.

Treine a sua inteligência fluida pelo site:


Minha idade é de 38 anos e o meu poder cerebral de 21 anos. Uma diferença de 17 anos! Não acredito em muitas pesquisas que afirmam que há uma queda do potencial cognitivo a partir dos 27 anos. Ou a partir dos 45 anos. O que tenho visto é que as pessoas que não treinam o cérebro  vão perdendo as suas funções mentais, além de desenvolverem déficits de memória, induzidos pelo estresse.

O bom da idade é que podemos ficar mais experientes, sem necessariamente ficarmos menos ágeis mentalmente. Lembre-se de que a preservação do poder cerebral vai depender do treinamento contínuo e a manutenção de um estilo de vida saudável.

Pare de gastar dinheiro em escolas de Inglês


Você realmente acredita que vai aprender inglês em escolas tradicionais de inglês?

Infelizmente não vai. Seu dinheiro merece outras tentativas mais eficazes.

Falo com conhecimento de causa, pois concluí dois cursos de inglês em escolas tradicionais e quando viajei para o exterior descobri que me serviram muito pouco. Voltei de lá apavorado, querendo aprender inglês de qualquer jeito. Obviamente que o hábito de treinar a língua no país de origem é a melhor maneira, mas para quem ainda não teve essa oportunidade, outras alternativas são eficientes.

Vou compartilhar  o que funcionou e funciona para mim, mas cada pessoa deve encontrar o próprio caminho.

Uma fonte interessante de atualização , não somente de treinamento na língua inglesa é a revista Speak Up. Uma única edição nos oferece mais vocabulário que um semestre inteiro num curso convencional. E é mais barato, economiza tempo e energia, mas exige um certo grau de autodidatismo. Vale a pena conferir. Outra questão a ser lembrada, aprender uma língua demanda prática e  em aulas de 1h a 2h por semana talvez você consiga dizer algumas frases, mas isso não é conversação real. O segredo da proficiência é o listening.


Para quem tem acesso à internet, as melhores fontes, das inúmeras que existem, estão recomendadas abaixo. Realmente faz uma diferença usá-las. Além delas, escutar músicas, navegar em sites, comprar cursos diversos em inglês, tudo vai se somando para produzir um resultado final de maior domínio da língua, até possivelmente uma fluência. Aproveite.



Remoção das Lentes Distorcidas da Verdade


Todas as pessoas têm opiniões. Basta lembrarmos dos três grandes temas polêmicos das rodas de amigos: política, religião e futebol. O grande problema para a humanidade é que opiniões são meras opiniões, sujeitas a erros, distorções e inverdades.

Uma pessoa evolui no seu caminho de sanidade mental na proporção direta em que se liberta de opiniões, começa a avaliar fatos e descobre verdades insuspeitas em diferentes temas relevantes na vida. Não estou falando dos três grandes temas já citados, pois eles não são testáveis do ponto de vista da verdade. São meramente crenças que atendem necessidades individuais ou de grupos. Podemos analisar os processos envolvidos nesses temas, mas não os temas em si com o intuito de encontrar alguma verdade.

Por isso, discutir esses três temas a partir de  algum ângulo ideológico suscita gargalhadas.

Mas há áreas do conhecimento humano que não são tabus, nem se consideram intocáveis pela verdade.Com elas podemos aprender coisas interessantes, novidades, insights, redescobrir coisas e, o mais importante, desaprender as mentiras que nos ensinaram no decorrer dos anos. O que falta às pessoas é um banho de verdade. Um banho de civilização, como dizia um colega médico, toda vez que passava um mês no exterior, "respirando civilidade e mudanças em curso." Depois voltava ao Brasil "recarregado."

Quando lembro que uma criança aprende versões da história que podem ser distorções da mente de algum professor de história da esquerda ou da direita, entendo o risco do processo educacional. Pode-se educar para mentiras, equívocos, lugares comuns e massificação. Geralmente assim  funciona o sistema educacional, com as suas avalanches de matérias, inúteis no decorrer dos anos. Quanto você lembra do que estudou no colégio? Obviamente que é melhor algum conhecimento do que conhecimento algum, mas os efeitos colaterais precisam ser pesados numa balança bem regulada, para evitar prejuízos no futuro.

Tenho buscado fontes alternativas de conhecimentos nos últimos cinco anos. Confesso que é  mais difícil do que encontrar ouro em Serra Pelada. Uma vez que outra, encontro livros e autores que nos "chocam" com verdades , novos paradigmas inimagináveis pelo senso comum. Ah, senso comum, somos escravos dessa falácia. Precisamos muito mais que senso comum para vivermos a vida com êxito e lograrmos nossos sonhos. Precisamos encontrar fontes de conhecimento livres de víéses, de interesses ocultos e de meias verdades.

Nessa busca solitária, já que o universo da leitura transita em temas rasos, como a autoajuda barata, a repetição de mantras de pensamento positivo e historinhas água com açucar ou mesmo romances tão ficcionais que se transformam em desperdício de tempo para uma mente já exageradamente imaginativa, tenho encontrado algumas " pepitas".

Para sermos mais inteligentes, precisamos ler coisas que ampliam a nossa percepção, investigarmos tópicos estranhos ao senso comum e descobrirmos peças de um quebra cabeça que é para profssionais e não amadores da vida. Neste blog o meu compromisso é ajudar os interessados a tomar um banho de lucidez e assim se tornarem mais proficientes em suas vidas, com mais autorealização.

Antes que o carnaval chegue, para evitar a superficialização do pensamento nas próximas semanas, convido-os a tomarem um banho de lucidez através das leituras sugeridas abaixo. Elas vão virar de ponta cabeça as suas concepções do mundo, das pessoas, das notícias veiculadas pela mídia, vão estraçalhar o senso comum( que é diferente de bom senso), vão eletrocutar os desinformados. Não sei se vocês conseguirão ler tanto em tão pouco tempo, mas se começarem na hora do desfile das escolas de samba e insistirem até o fim da Páscoa, vocês conseguem!

Qual será o prêmio? Lucidez, libertação intelectual, criatividade, um banho de civilização nesse marasmo de massificação e empobrecimento mental e cultural em que imergiram as pessoas.

Qual será o preço? Um pouco de desconforto mental, já que vocês terão suas feridas intelectuais mexidas e outros cortes serão feitos nas adjacências. Mas não se pode expandir sem dores, como não se pode hipertrofiar músculos sem malhar.

Os livros podem ser  lidos em qualquer ordem, mas recomendo que você leia-os ao mesmo tempo. Essa mania de ler um livro do início ao fim, para somente abrir outro é uma herança obsessiva do sistema educacional, uma mania de privilegiar o processo, descuidando do conteúdo. O que você quer, senão entrelaçar conhecimentos variados, possibilitando um intercâmbio de ideias e insights? Para fazer isso, é preciso misturar, associar, relacionar, reunir diferentes fontes de conhecimento ao mesmo tempo.

Os livros estão distribuídos abaixo. Preferi colocar as fotos e deixar a sua curiosidade procurá-los. Não perca tempo, comece hoje o seu longo e demorado banho, para remover a poeira depositada no seu pensamento, na sua maneira de enxergar o mundo, distorcendo as  lentes da verdade.













sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Adolescência e Escolhas Arriscadas


A adolescência é uma fase do desenvolvimento psicossexual que apresenta características peculiares, determinantes para o futuro do indivíduo.

Atualmente enxergamos a adolescência sob um prisma neurodesenvolvimental, não somente endocrinológico. Obviamente que os caracteres sexuais secundários começam a aparecer na puberdade, com as suas repercussões físicas e mentais. Uma região cerebral  chamada hipotálamo  comanda a secreção dos hormônios sexuais, levando à descoberta da sexualidade.

E justamente nesta fase delicada do desenvolvimento humano, muitas escolhas são feitas , caminhos começam a ser trilhados e armadilhas se interpõem no caminho rumo a um futuro saudável.

Os pais ficam confusos. Não há manuais de instrução completamente validados para obter êxito na tarefa de criar bem os filhos e todos os manuais para  adolescentes teriam que ser personalizados.

Neurodesenvolvimento:

Sem entrarmos nos meandros neurofisiológicos da adolescência, basta dizermos que um(a) jovem não é plenamente desenvolvido neste quesito. Isso explica a irresponsabilidade que lhes é inerente, com algumas exceções. É difícil um adolescente conseguir um primeiro emprego, justamente pela sua imaturidade comportamental, decorrente da sua imaturidade neurológica. Descobri isso empiricamente, ao solicitar ao meu sobrinho que construisse um site para mim. No dia em que estávamos discutindo essa possibilidade, ele parecia empolgado e "comprometido". Na semana seguinte havia esquecido tudo que tínhamos combinado. Frustrante. Assim se sentem os pais, a ponto de exclamarem "aborrecência." O desenvolvimento do córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e controle dos impulsos ainda está incompleto, sendo apenas concluído no final da adolescência. Por outro lado, infelizmente, o sistema límbico, responsável pelas emoções e afetos, está hiperativo, levando a um desbalanço neuroquímico, com  consequente comportamento de risco, frequente nessa fase, como envolvimento com drogas, direção perigosa, sexo sem proteção, rebeldias e irresponsabilidades múltiplas. O adolescente é uma criança com energia de adulto e com acesso a "brinquedos perigosos". Essa combinação é explosiva.

Esse desbalanço neuroquímico intensifica reações que parecem ridículas para um adulto. Vejamos o exemplo de Márcia, que foi internada no Pronto atendimento, por tentar se matar ingerindo bebida alcoólica e remédios para dormir. Antônio, seu namorado, a deixou para "ficar" com outra. Essa "tragédia" provocou o fim do mundo( e eles sentem assim), "não vale mais a pena viver", " a vida perdeu o sentido"( nem começou a ter um sentindo, tamanho o caos neurológico e psicológico). Portanto, a escolha impulsiva leva a uma tentativa de suicídio. Muito(as) cortam os pulsos. Cabe lembrar que a perda desse amor aconteceu depois de longos três meses de namoro. Nessa fase, de incapacidade neurológica ou capacidade parcial, muitos adolescentes, geneticamente predispostos, sucumbem à depressão e  à ansiedade.

A maioria dos adolescentes ultrapassa esse "inferno vital" de maneira relativamente tranquila. Outros caem em armadilhas das quais nunca mais se recuperam. Os que conseguirem sobreviver à adolescência, terão a oportunidade de remodelar o cérebro, ampliando as habilidades neuronais e a aprendizagem, tornando-se adultos responsáveis, independentes e socialmente competentes.

As Armadilhas no Caminho

Juntamente com o desenvolvimento de algumas regiões cerebrais adormecidas, a adolescência traz uma alteração no funcionamento do Sistema de Recompensa Cerebral, que sofre um processo de hipoativação. O resultado é bem conhecido: abandono das brincadeiras infantis, impaciência, busca de atividades arriscadas, preferência por novidades e tédio. Nem mesmo adultos entediados lidam bem com esse estado emocional, imaginem adolescentes "descerebrados". Por um lado a busca de outros caminhos estimula a  uma maior autonomia, independização dos pais e identificação com outros modelos sociais( tribos). Por outro lado, na espera dos 10 anos que ainda faltam para uma completa finalização cerebral, muitos adolescentes se envolvem com drogas e fazem outras escolhas equivocadas. Enfrentam o mundo adulto com ferramentas ainda frágeis e um repertório mental e social em desenvolvimento. Por exemplo, a empatia, que pode ser traduzida como a capacidade de "se colocar no lugar do semelhante, entendendo os seus dilemas e ideias", é falho no adolescente, que permanece autocentrado, em  defesa de causas socialmente reprováveis. Quem olha para o próprio umbigo, não liga para as consequências de seus atos, muito menos para o desconforto que causa nos outros. Nessa onda, estão as marchas a favor de coisas danosas para sociedade e prazerosas para si mesmos, como a liberalização da maconha. Imaginem como vai ficar o cérebro adolescente que fuma maconha nessa fase delicada do desenvolvimento cerebral. Já pensaram? 

Neste momento, cabe aos pais, aos professores e aos modelos de comportamento responsável prover esses adolescentes com informações adequadas dos riscos de suas escolhas. Mais do que informação é necessário engajá-los em ações produtivas, como estudo e trabalho disciplinado. Para que o tédio não seduza através do uso de drogas para hiperexcitar o sistema de recompensa, precisamos conquistar os adolescentes por outros caminhos mais saudáveis. Neste momento, a desocupação acadêmica e laborativa associada à superproteção dos pais, que dão tudo e não exigem nada, leva a um risco de desvio comportamental aumentado. 

A adolescência é uma transição. Diante de encruzilhadas, jovens acertam e jovens erram. Os que erram pagam um preço alto demais pelo descuido. Morrem precocemente. Abandonam os estudos. Convertem-se em fardos para seus familiares. Tornam-se dependentes químicos irremediáveis e irrecuperáveis, trilhando um caminho sem volta. O índice de recuperação de drogas é baixíssimo. E nessa correnteza infeliz se vãos os potenciais e sonhos de uma vida inteira. Os pais transformam-se em  escravos de tentativas repetidas para salvar seus filhos, mas não conseguem. O cérebro que tinha a chance de se desenvolver torna-se atrofiado pela ação de drogas que destroem os neurônios e impedem o amadurecimento de áreas cerebrais nobres. As consequências sociais são desastrosas. E os adolescentes bem-sucedidos precisam agora pagar o preço direto e indireto pelas escolhas dos adolescentes mal-sucedidos. Um mundo muito desigual, que explica parte da insanidade  em que vivemos no planeta Terra.